segunda-feira, 1 de junho de 2015

A dor e a arte

Postando texto de cerca de 2 meses atrás que simplesmente foi esquecido.

           Hoje eu percebi que não costumo falar muito com as pessoas. Quer dizer, sobre as coisas que realmente importam. O problema é que na verdade ninguém liga muito, é sempre aquele “tudo bem?” que a gente sabe que no fundo não significa nada.
            Também não gosto da sensação de me sentir vítima. As coisas que passam pela minha cabeça e meu coração são apenas conseqüências de escolhas que eu fiz com o meu próprio senso crítico, e se hoje tenho dúvidas sobre o curso natural que minha vida vem levando, sei que nada mais influencia essa corrente se não a razão e sensibilidade (com a licença da Jane Austen) do meu simples ser.
            Também não acho que estar em dúvida seja um privilégio particular. Talvez apenas por força dos genes e do destino eu tenha essa mania de overthinking, que me leva a sentir com gosto as dores que me são permitidas. E eu juro que às vezes é bom. Sentir a dor, sabe. Faz com que eu me sinta uma pessoa de verdade, porque muitas vezes eu sinto uma necessidade de esquecer esse fato e viver minha vida da forma que as pessoas esperam que eu faça, e no meio dessa loucura chorar sozinha pode ser um ato bem libertador.
       Eu só queria poder ter as pessoas certas, e eu me martirizo muito por pensar isso nesses momentos de incertezas. Sei que a parte boa de viver é ver gente diferente, mas me sinto presa entre duas realidades que não satisfazem parte alguma. Eu não me encontro.
         Posso dizer com propriedade que nos últimos tempos, todas as coisas das quais eu já tive certeza pararam de fazer sentido da forma mais ridícula possível. Eu perdi meu objetivo, e tudo que eu faço parece besteira diante do fato de que eu já não sei por quê.                  

         Eu não quero terminar esse texto de forma melancólica, por isso digo que tenho esperanças. Acho que no fundo eu tenho mesmo. Nenhum sofrimento há de ser em vão, na pior das hipóteses, ele se transforma em arte.

Aprendi


Esse final de semana eu aprendi sobre nós. Aprendi sobre todo aquele infinito que existe dentro de cada um. Aprendi tanto que quase não tenho vontade de falar sobre isso. Mas de qualquer forma, senti tão profundamente a vida dentro de mim que acho até ofensivo não escrever sobre isso e registrar esse sentimento tão louco.
           Sabe, a gente não precisa conhecer alguém por anos pra poder ter um laço com essa pessoa. O carinho vem dos momentos, dos pensamentos se encontrando e as emoções sendo divididas. Até pouco tempo eu acreditava que um beijo não poderia ser simplesmente um beijo, que o sentimento sempre viria junto, pelo menos de um dos lados. E, bem, eu ainda acredito nisso, mas existe uma diferença. O sentimento existe sim, mas no momento. Isso não quer dizer que as duas pessoas pensam em um futuro juntas, mas que elas trocam um carinho e se entregam pro momento. Aprendi a sentir o momento.
           Aprendi que as relações humanas são a mais forte maneira de nos transformarmos em pessoas melhores (ou piores). Aprendi que ser gentil nos ajuda a sermos mais leves. Aprendi tanta coisa simples e pequena, de uma forma tão singela, que parece que acabei de aprender a ser Deus.

           Aprendi a entender a natureza, a entender o outro e principalmente a me entender. Aprendi que um final de semana me ensinou muito mais que 16 anos de vida.

domingo, 15 de março de 2015

Gentileza X Miséria

 Era uma sexta-feira bem ensolarada, algumas pessoas esperavam o lanche na fila do bar, outros jogavam ping-pong na mesinha ao lado, e eu estava sentada num banco, com meus fones de ouvido escutando alguma música bonitinha do Young The Giant.
         Era o intervalo na escola, e todo mundo sentia no ar aquela energia do final de semana chegando e o cansaço da semana que passou.  À minha frente alguns meninos trocavam passes com uma bola de futebol, despreocupadamente.
 Como sempre, as crianças do 6º ano davam tudo pra poderem jogar com os “mais velhos”, e se sentiam honrados a cada passe de um veterano que recebiam. Estava tão perdida na minha música e no raio de sol que entrava pela fresta da cobertura da quadra de esportes, que nem vi muito bem como aconteceu. De qualquer forma, não entendo bem como os meninos e os esportes funcionam, mas sei que depois de um mal-entendido, vi um desses rapazes de 16 anos que já cresceram tudo o que deviam e muito mais, puxar um menino magricela pela camiseta sem dó, e discretamente de cantinho, ameaçá-lo. Não sei de quê nem por que, e também nem me interessa saber.
Coisa pouca, você diz? Pode até ser, mas o olhar do menino e o jeito como ele abaixou a cabeça e voltou ao jogo me deixou aturdida. Eu, que na minha inocência acreditava que as pessoas estavam tomando seus rumos, compreendendo um pouco mais dos outros e vivendo melhor em sociedade, fiquei abismada. Como pode um rapaz se sentir no direito de ameaçar uma criança por um simples joguinho de intervalo, e o pior: a criança compreender aquilo como algo banal e que faz parte dos seus deveres.
Sei que muita gente diz que “na sua época” isso existia muito, nada se dizia sobre e eles estão aí, firmes e fortes na vida. Pois bem, firmes e fortes na vida, mas completos estúpidos, antipáticos e mal-educados.
Não custa ser gentil. Você não vai ser menos respeitado por isso. Você não vai ter menos “poder” por isso. Você só vai ser menos miserável.


(13 de março de 2015. Nomes foram ocultados porque não sou tão idiota assim)

quinta-feira, 12 de março de 2015

A brincadeira da vida

Esse tem sido um período complicado. Não acho que isso seja exclusividade minha, aliás, as pessoas sempre falam sobre isso (ou escrevem, enfim). O fato é que estou vivendo aquele momento em que as coisas simplesmente mudam. Há alguns anos atrás eu poderia estar lendo um texto um tanto quanto parecido com o que estou prestes a escrever, e provavelmente teria achado confuso e mal-elaborado. Então, não me julguem pela falta de clareza, este não é um texto pra ser compreendido, mas sim sentido.
      As coisas estão sempre mudando, e isso é algo inevitável. Todavia, sempre existe aquele momento X em que as mudanças são tão radicais que fazem você repensar todos os seus conceitos, ideias e atitudes. Quando se é jovem então, esses momentos se multiplicam.
         Normalmente acontece de um ano pro outro, quando começamos a trabalhar, assumimos mais responsabilidades, precisamos decidir o que fazer na faculdade e aí por diante. A pressão acaba caindo sem dó em cima de pessoas que ontem mesmo estavam brincando de pega-pega no pátio de casa.
         O bom é que o ser humano é adaptável. Conseguimos nos adequar a quase todas as condições emocionais (sim, porque o principal problema é o nosso emocional), e, portanto, mais dia menos dia, nos acostumamos com a rotina. E o problema está resolvido? É claro que não, porque muito mais que rotina, isso envolve pensamentos. Opiniões. Vontades. Passei minha vida toda acreditando nisso e querendo aquilo, e agora, eu deveria simplesmente mudar? Tenho que saber o que fazer pro resto da vida? Acreditar em coisas que nem imaginaria antes?
     Calma! Existe uma boa notícia: você cuida de você mesmo. Mudar de opinião e ter outras vontades não é bicho de sete cabeças. Pelo contrário, é a ordem natural da vida. Não se assuste se você não sabe o que quer fazer da sua. Ninguém nunca sabe.
       Seja paciente, positivo e nunca fique parado. Faça o que te der vontade no exato momento em que você está vivendo. Crescer não é sinônimo de desvendar todos os segredos da vida. Crescer é só brincar de um jeitinho diferente.


(12 de março de 2015. Sentindo o peso das mudanças)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sobre água, amor e essas coisas

O amor é complicado. Uns tem e nem percebem, outros lutam tanto por ele que acabam se esquecendo de amar, outros o tem a tanto tempo que já estão acostumados. Alguns desfrutam do melhor que ele pode oferecer, outros os sentem em silêncio e ainda têm aqueles já cansaram de procurar.
          Eu juro que não queria estar escrevendo sobre isso, parece um assunto tão batido. Ninguém tem muito mais a dizer. E ainda assim todo mundo continua batendo na mesma tecla. É um pouco assustador, não é?
           Fico me perguntando se a gente sabe que é amor quando é. Dizem que sim, mas e se não? E se a gente nem perceber que ele tá ali? Eu tremo só de pensar. Ninguém me disse ainda como essas coisas funcionam (talvez por meio de textos abstratos, mas é que minha interpretação muitas vezes sai toda errada).
           É só que... eu não sei o que esperar. Nem sei se eu devia esperar alguma coisa. Tenho medo de achar que uma enxurrada vai atingir minha vida e aí puff, é amor. Mas, o que acontece se for só uma gotinha que vai cair no meu ombro e eu nem perceber? A gota pode secar e eu nem vou ficar sabendo. Pode acontecer né? É provável.
      Enxurrada ou gota, eu quero é chuva. Quero a água no meu rosto, levando embora toda a incerteza que cresce cada vez mais em mim. Quero que me molhe inteira, seja tudo de uma vez ou gota por gota. Acho que na hora nem vai importar tanto. O importante é que aí eu vou parar de ter medo de tempestade.


(16 de fevereiro de 2015)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

10 maneiras de ser - um pouquinho mais - feliz (de acordo com uma garota de 16 anos)

1. Reserve um tempo da sua vida pra fazer o que você gosta. Entre estudos e trabalho, tire um tempinho que for pra fazer alguma coisa diferente e que te permita colocar todos os sentimentos pra fora de alguma forma. Valem aulas de natação, piano, desenho, karatê, teatro, fotografia, vôlei, dança, violão... sério, possibilidades não faltam.
2. Tenha um bom relacionamento com seus pais. Mesmo que vocês tenham opiniões diferentes ou contrastantes, tente ao máximo manter um relacionamento ao menos de respeito mútuo. O tempo vai te mostrar o quão bom é poder ter seus pais por perto.
3.  Seja flexível em todos os seus relacionamentos. Quando se trata de pessoas que a gente gosta, vale mais estar junto do que estar certo. Não é pra você não ter opinião própria, mas tente ceder às vezes. Entenda que seus amigos não são iguais a você (e nem têm que ser!), permita que cada pessoa tenha seu jeito e não tente mudá-lo ou controlá-lo.
4. Tenha um tempo consigo mesmo. Escute um álbum de um artista que goste, assista a um filme, escreva, desenhe. Pense. Estar sozinho não é feio, é essencial. Nós precisamos desse tempo pra colocar os pensamentos em ordem e digerir a nossa vida com calma e sabedoria.
5. Preencha seu dia. Ficar todos os dias o dia todo em casa sem fazer nada realmente significativo é uma das piores formas de morrer. Tente ao máximo preencher seu dia com coisas que te dão prazer, trabalho e estudos (que querendo ou não te ajudam muito a crescer). Mesmo estando em casa, procure se ocupar com coisas que considere importante.
6.   Faça exercícios físicos regularmente. Ok, podem dizer que eu roubei esse item de uma revista sobre saúde (e pode até ser que estejam certos), mas é inegável. Pratique algum exercício físico (caminhar no parque da cidade também vale!) pelo menos 3 vezes por semana por meia hora. Ajuda a liberar o estresse e te faz pensar melhor!
7.   Se desafie. Desde coisas pequenas como usar uma roupa que você acha linda, mas tem medo de usar em público até coisas maiores como achar um novo emprego ou trocar o curso da faculdade. Mudanças são necessárias e são o ciclo em que a vida corre naturalmente. Uma hora ou outra as coisas terão que mudar, então é bem melhor fazer isso antes, quando você tem opções pra escolher, do que esperar ser forçado à mudança.
8.  Mantenha-se informado. Leia jornais, revistas, sites informativos e tudo mais que puder. Saber do que acontece no mundo te permite discutir com as pessoas sobre isso, te ajuda a abrir sua cabeça e a entender um pouco melhor como o mundo realmente funciona – fora da sua bolha.
9.  Não se faça de vítima. As coisas dão errado pra todo mundo, parceiro. O jeito como cada pessoa encara os erros é que muda tudo. Não deixe que um passo errado faça você achar que todos estão contra você ou algo assim. Olhe pra frente e lembre-se que a vida é tua. Olhe pro lado bom das coisas que te acontecem, que aí sim elas vão melhorar.
10.  Não siga regras pra ser feliz. Essa aqui pode ser minha fórmula secreta pra felicidade, mas poxa! As pessoas são tão diferentes. Procure sua própria forma de viver feliz, contanto que não machuque os outros. E só não deixe ninguém dizer se o que você faz é certo ou errado (só se tiverem feito uma lei contra isso, aí você tá lascado amigo).


(16 de fevereiro de 2015. Segunda-feira de carnaval sozinha num quarto ouvindo o álbum “Sábado” do Cícero. Vish, quando mesmo eu comecei a escrever textinho de auto-ajuda?)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O que eu sabia ou já nem sei

Engraçado achar essa frase justamente no dia que eu tinha pensado em voltar a escrever. A vida andava tão corrida que eu nem parava pra pensar no que eu tava sentindo, quem dera então escrever sobre isso. Mas hoje eu percebi que parte da minha frustração é justamente o fato de que ela tá aqui, sabe? Se eu não estivesse de férias eu poderia simplesmente colocá-la nos meus passos de dança, e aí tudo estaria bem. Mas eu ainda estou tentando descobrir o que fazer com todas as circunstâncias. Não sei onde eu coloco meus medos e inseguranças, nem minhas conquistas e alegrias. Eles simplesmente não parecem pertencer juntos.
Tanta coisa presa dentro de mim que eu até esqueci de iniciar um novo parágrafo. Então aqui está.  Não acho que esse momento seja tão cruel assim, mas o sofrimento sempre parece pior aos olhos do sofredor né? Pronto. Agora até já desliguei o álbum do Kasabian que tava tocando aqui. Já posso dizer oficialmente que meus sentimentos estão guardados nesse texto, e espero do fundo da alma que ele me ajude a perceber que é só a maré que tá ruim.
Sei que tá tudo abstrato, mas a simples realidade é que a gente não pode fazer tudo ao mesmo tempo. Deus, queria que não fosse assim. A gente poderia simplesmente fazer tudo. Sem hora de voltar. Experimentar todos os gostos da vida. Ah, como eu queria! Queria poder experimentar de tudo, e quando gostasse de alguma coisa, eu queria mesmo era ficar com ela pro resto da vida. Mas poxa, chega uma hora que essa maldita vida é só bifurcação atrás de bifurcação. Já nem sei os caminhos que eu deixei pra trás, muito menos aonde eles iriam me levar. E como a gente vai saber, afinal? É tudo uma questão de instinto e juro, o meu não tá funcionando muito bem ultimamente.
Esse texto ficou mais pessoal do que eu planejei. Talvez eu nem saiba mais colocar sentimentos em um texto bonitinho cheio de metáforas e palavras complicadas. Ou talvez eu nunca soube. Quer saber? Nem sei mais.