Hoje eu percebi que não costumo
falar muito com as pessoas. Quer dizer, sobre as coisas que realmente importam.
O problema é que na verdade ninguém liga muito, é sempre aquele “tudo bem?” que
a gente sabe que no fundo não significa nada.
Também
não gosto da sensação de me sentir vítima. As coisas que passam pela minha
cabeça e meu coração são apenas conseqüências de escolhas que eu fiz com o meu
próprio senso crítico, e se hoje tenho dúvidas sobre o curso natural que minha
vida vem levando, sei que nada mais influencia essa corrente se não a razão e
sensibilidade (com a licença da Jane Austen) do meu simples ser.
Também
não acho que estar em dúvida seja um privilégio particular. Talvez apenas por
força dos genes e do destino eu tenha essa mania de overthinking, que me leva a
sentir com gosto as dores que me são permitidas. E eu juro que às vezes é bom.
Sentir a dor, sabe. Faz com que eu me sinta uma pessoa de verdade, porque
muitas vezes eu sinto uma necessidade de esquecer esse fato e viver minha vida
da forma que as pessoas esperam que eu faça, e no meio dessa loucura chorar
sozinha pode ser um ato bem libertador.
Eu
só queria poder ter as pessoas certas, e eu me martirizo muito por pensar isso
nesses momentos de incertezas. Sei que a parte boa de viver é ver gente
diferente, mas me sinto presa entre duas realidades que não satisfazem parte
alguma. Eu não me encontro.
Posso
dizer com propriedade que nos últimos tempos, todas as coisas das quais eu já
tive certeza pararam de fazer sentido da forma mais ridícula possível. Eu perdi
meu objetivo, e tudo que eu faço parece besteira diante do fato de que eu já
não sei por quê.
Eu
não quero terminar esse texto de forma melancólica, por isso digo que tenho
esperanças. Acho que no fundo eu tenho mesmo. Nenhum sofrimento há de ser em
vão, na pior das hipóteses, ele se transforma em arte.
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