domingo, 15 de março de 2015

Gentileza X Miséria

 Era uma sexta-feira bem ensolarada, algumas pessoas esperavam o lanche na fila do bar, outros jogavam ping-pong na mesinha ao lado, e eu estava sentada num banco, com meus fones de ouvido escutando alguma música bonitinha do Young The Giant.
         Era o intervalo na escola, e todo mundo sentia no ar aquela energia do final de semana chegando e o cansaço da semana que passou.  À minha frente alguns meninos trocavam passes com uma bola de futebol, despreocupadamente.
 Como sempre, as crianças do 6º ano davam tudo pra poderem jogar com os “mais velhos”, e se sentiam honrados a cada passe de um veterano que recebiam. Estava tão perdida na minha música e no raio de sol que entrava pela fresta da cobertura da quadra de esportes, que nem vi muito bem como aconteceu. De qualquer forma, não entendo bem como os meninos e os esportes funcionam, mas sei que depois de um mal-entendido, vi um desses rapazes de 16 anos que já cresceram tudo o que deviam e muito mais, puxar um menino magricela pela camiseta sem dó, e discretamente de cantinho, ameaçá-lo. Não sei de quê nem por que, e também nem me interessa saber.
Coisa pouca, você diz? Pode até ser, mas o olhar do menino e o jeito como ele abaixou a cabeça e voltou ao jogo me deixou aturdida. Eu, que na minha inocência acreditava que as pessoas estavam tomando seus rumos, compreendendo um pouco mais dos outros e vivendo melhor em sociedade, fiquei abismada. Como pode um rapaz se sentir no direito de ameaçar uma criança por um simples joguinho de intervalo, e o pior: a criança compreender aquilo como algo banal e que faz parte dos seus deveres.
Sei que muita gente diz que “na sua época” isso existia muito, nada se dizia sobre e eles estão aí, firmes e fortes na vida. Pois bem, firmes e fortes na vida, mas completos estúpidos, antipáticos e mal-educados.
Não custa ser gentil. Você não vai ser menos respeitado por isso. Você não vai ter menos “poder” por isso. Você só vai ser menos miserável.


(13 de março de 2015. Nomes foram ocultados porque não sou tão idiota assim)

quinta-feira, 12 de março de 2015

A brincadeira da vida

Esse tem sido um período complicado. Não acho que isso seja exclusividade minha, aliás, as pessoas sempre falam sobre isso (ou escrevem, enfim). O fato é que estou vivendo aquele momento em que as coisas simplesmente mudam. Há alguns anos atrás eu poderia estar lendo um texto um tanto quanto parecido com o que estou prestes a escrever, e provavelmente teria achado confuso e mal-elaborado. Então, não me julguem pela falta de clareza, este não é um texto pra ser compreendido, mas sim sentido.
      As coisas estão sempre mudando, e isso é algo inevitável. Todavia, sempre existe aquele momento X em que as mudanças são tão radicais que fazem você repensar todos os seus conceitos, ideias e atitudes. Quando se é jovem então, esses momentos se multiplicam.
         Normalmente acontece de um ano pro outro, quando começamos a trabalhar, assumimos mais responsabilidades, precisamos decidir o que fazer na faculdade e aí por diante. A pressão acaba caindo sem dó em cima de pessoas que ontem mesmo estavam brincando de pega-pega no pátio de casa.
         O bom é que o ser humano é adaptável. Conseguimos nos adequar a quase todas as condições emocionais (sim, porque o principal problema é o nosso emocional), e, portanto, mais dia menos dia, nos acostumamos com a rotina. E o problema está resolvido? É claro que não, porque muito mais que rotina, isso envolve pensamentos. Opiniões. Vontades. Passei minha vida toda acreditando nisso e querendo aquilo, e agora, eu deveria simplesmente mudar? Tenho que saber o que fazer pro resto da vida? Acreditar em coisas que nem imaginaria antes?
     Calma! Existe uma boa notícia: você cuida de você mesmo. Mudar de opinião e ter outras vontades não é bicho de sete cabeças. Pelo contrário, é a ordem natural da vida. Não se assuste se você não sabe o que quer fazer da sua. Ninguém nunca sabe.
       Seja paciente, positivo e nunca fique parado. Faça o que te der vontade no exato momento em que você está vivendo. Crescer não é sinônimo de desvendar todos os segredos da vida. Crescer é só brincar de um jeitinho diferente.


(12 de março de 2015. Sentindo o peso das mudanças)