Caí na velha história da nordestina cheia de ginga e o coração gigante e o corpo suado e o sotaque que me deixa toda boba sem vontade de ir embora.
Fui.
Agora não sei como voltar.
Queria acreditar numa história de filme cheia de voltas e sofrimentos só pro final feliz chegar e acalentar os corações sem esperança.
Meu coração segue indeciso.
É difícil não amar a nordestina. Difícil não querer acompanhá-la com olhos brilhando por ver a elegância, a exuberância e a determinação daquela mulher, com o imenso prazer de saber-me cúmplice de tal esplendor de ser humano.
Sei o que devo sentir. E conheço meu coração mole que abraça mesmo se envenenando. Sofre devagar, um sofrimento que escorre lento quase despercebido na tranquilidade da rotina. Me contento em vê-la feliz, a nordestina que me desconcerta.
Ainda bem que a nordestina veio.
(4 de janeiro de 2020)
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