Era uma
sexta-feira bem ensolarada, algumas pessoas esperavam o lanche na fila do bar,
outros jogavam ping-pong na mesinha ao lado, e eu estava sentada num banco, com
meus fones de ouvido escutando alguma música bonitinha do Young The Giant.
Era
o intervalo na escola, e todo mundo sentia no ar aquela energia do final de
semana chegando e o cansaço da semana que passou. À minha frente alguns meninos trocavam passes
com uma bola de futebol, despreocupadamente.
Como sempre, as crianças do 6º ano davam tudo
pra poderem jogar com os “mais velhos”, e se sentiam honrados a cada passe de
um veterano que recebiam. Estava tão perdida na minha música e no raio de sol
que entrava pela fresta da cobertura da quadra de esportes, que nem vi muito bem
como aconteceu. De qualquer forma, não entendo bem como os meninos e os
esportes funcionam, mas sei que depois de um mal-entendido, vi um desses
rapazes de 16 anos que já cresceram tudo o que deviam e muito mais, puxar um
menino magricela pela camiseta sem dó, e discretamente de cantinho, ameaçá-lo.
Não sei de quê nem por que, e também nem me interessa saber.
Coisa pouca,
você diz? Pode até ser, mas o olhar do menino e o jeito como ele abaixou a
cabeça e voltou ao jogo me deixou aturdida. Eu, que na minha inocência
acreditava que as pessoas estavam tomando seus rumos, compreendendo um pouco
mais dos outros e vivendo melhor em sociedade, fiquei abismada. Como pode um
rapaz se sentir no direito de ameaçar uma criança por um simples joguinho de
intervalo, e o pior: a criança compreender
aquilo como algo banal e que faz parte dos seus deveres.
Sei que muita
gente diz que “na sua época” isso existia muito, nada se dizia sobre e eles
estão aí, firmes e fortes na vida. Pois bem, firmes e fortes na vida, mas completos
estúpidos, antipáticos e mal-educados.
Não custa ser
gentil. Você não vai ser menos respeitado por isso. Você não vai ter menos
“poder” por isso. Você só vai ser menos miserável.
(13 de março de 2015.
Nomes foram ocultados porque não sou tão idiota assim)
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