domingo, 22 de março de 2020

Tormenta

Se eu fosse contar a quantidade de mulheres que me atravessam, será que daria pra medir o nível da minha angústia?
Que drama, penso eu. Que força tem minha dor perto da imensidão do mundo, ou talvez quantos são os sorrisos que se abrem a cada lágrima minha, ou ainda quantos são os braços que se enlaçam na alegria do reencontro a cada vez que meus olhos se despedem, cansados, de mais um rosto lindo com a iludida promessa de algo a mais estampada quase escancarada a rir da minha esperança miserável.
De cada gole de cerveja, de cada toque sutil na mão com intuito de guiar um giro tímido e quem sabe um sorriso envergonhado, de cada olhar de canto do olho, me saem borboletas a voar na mente ocupando um vazio que insiste em tomar conta do meu peito e que mesmo por tamanha potência criativa e de vida que sei que tem, me atormenta o sono e o tempo.
Minha escrita pede sofrimento. Meu coração pede paz.

(26 de janeiro de 2020)

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