quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Paraíso Incerto

Eu quero sair. Quero ver o mundo, me aventurar, buscar coisas novas, gente diferente, sorrisos de outras bocas, abraços de outros corpos, luzes de outros olhos. Quero o que me completa. O que me faz inteira, segura e tranquila.
Já não me contento com os encontros de sexta à noite, as tarefas da quarta-feira e os almoços de domingo. Eu quero o que me desafia. Me pego pensando no futuro e remoendo em mim todo o tempo que ainda falta pra me ser. Quanto mais longe vou, mais longe quero ir, e a rotina já não me satisfaz inteiramente.
A realização que se alastra por dentro acontece quando me permito experimentar essa liberdade de espírito e de corpo, e ainda assim acabo alimentando um sentimento que sei que no momento não estou pronta pra receber por completo.
Resta-me ir ajuntando e juntando as migalhas de mim, até que a hora chegue. Sei que ainda vou me escabelar diante do desejo desse incerto paraíso, diante da vontade de crescer ao infinito que minha mente permite. Mas coloco-me na posição de aprendiz. Escuto com atenção, falo com cautela, assisto com olhos de admiração... e espero com a paciência de quem ama.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Os Três Amores


Preciso amar sabendo que às vezes eu só e só... preciso amar eu só.
Quando me encontro,
mesmo num tanto de gente
dou a volta em mim, me conheço, me monto,
me desfaço, risco o traço
Sinto-me quente, sinto-me espaço
trago em mim a leveza de uma pena e o abrigo de um abraço

Não há porque amar, se não para semear conhecimento...
Busco assim um refúgio, pro instante de desespero
A sabedoria que me aconchega
me embala, me sossega
Como um certo mensageiro
que traz consigo a esperança
de que uma simples criança, o amor nos entrega

Preciso amar atento, atento pra não ceder por dentro...
E por último, o cuidado
O medo do desconhecido
daquilo que de tanto falo, que às vezes até grito
O poema, a melodia, que em mim causam atrito
Como posso ser tão grande, se vivo olhando pros lados
num nervosismo descontrolado
que quem sabe o tal amado, não me chame mais de amor...


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Resgatando - Melodrama Inicial

Como já disse em algum lugar perdido desse blog, recentemente perdi alguns textos que havia escrito nos últimos dois anos. Por sorte acabei encontrando alguns outros nem tão antigos perdidos no computador da minha mãe e resolvi resgatá-los, já que agora tenho um espaço só pra isso. :D

MELODRAMA INICIAL

Você e essa sua audácia
De chegar devagarzinho
Fingir que é mansinho
E no primeiro desalinho
Roubar minha atenção

Você e esse seu descaso
Essa sua indiferença
Não que haja desavenças
Mas minha mente sempre pensa
Que o esforço foi em vão

Você e essa sua distância
Não só física como mental
De um descontrole total
Na ausência do ponto final
Fica pendendo a solidão

Você e sua falta de sorte
De ter me achado por aí
Admito que corri
E agora acho que me perdi
Em teus olhos, vastidão


1º de julho de 2014 (texto melodramático inspirado pelo grupo de Poeteiros Anônimos (ou nem tanto) do Facebook. Preciso melhorar meus poemas)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O Nosso Futuro Que É Meu

É engraçado, mas já me sinto sua antes de ser. Já sinto como se essa história estivesse definida, como se existisse um acordo mútuo que a gente não precisou nem falar sobre. Já imaginava nossas tardes, os passeios, as músicas, e todas essas coisinhas de casal que achamos ridículo até acontecer com a gente também.
                Poxa, até me senti egoísta escrevendo isso. Eu praticamente supus um futuro pra nós, nem te perguntei o que você achava, se tava tudo bem, pode ser assim então? Eu me fiz uma monarca e ditei como as coisas seriam na minha cabeça, e agora vejo o quanto isso me prejudicou.
                Acho que sonhei esse futuro sozinha, e eu não te culpo por isso. Não era tua obrigação seguir minha imaginação fértil, eu só achei que... bem, achei que já estava combinado, entende? E aí eu acho que você pode ter parcela da culpa. Nada disso teria passado pela minha cabeça se você não tivesse me dado motivos pra acreditar, pelo menos uma vez. Você não precisava ter alimentado minhas esperanças em relação a nada, e eu tenho certeza que você sabe que fez isso.
                Mas tudo bem, talvez seja exagero meu. Afinal, você não me disse nada. Você não demonstrou como se sente. Você se manteve neutro diante dos meus chamados. Talvez seja medo, mas eu juro que não sei de quê, eu não te dou motivo algum pra temer. Talvez seja imaturidade sua, que quer alguém alimentando seu ego mesmo não estando interessado. Talvez até seja preguiça de sair da sua zona de conforto, mas os motivos já não me interessam.
                Eu já nem te peço pra manter esse tal futuro que planejei pra nós. Eu só quero que você me diga, me tire desse mar de dúvidas. Vamos! Não vai doer nada. Enquanto isso, eu tô vivendo minha vida, mas preciso admitir: enquanto você não matar esse futuro imaginário de vez, ele vai continuar a crescer em mim.


(Ainda tô me acostumando com essa coisa de gostar de alguém...)