Eu quero sair.
Quero ver o mundo, me aventurar, buscar coisas novas, gente diferente, sorrisos
de outras bocas, abraços de outros corpos, luzes de outros olhos. Quero o que
me completa. O que me faz inteira, segura e tranquila.
Já não me
contento com os encontros de sexta à noite, as tarefas da quarta-feira e os
almoços de domingo. Eu quero o que me desafia. Me pego pensando no futuro e
remoendo em mim todo o tempo que ainda falta pra me ser. Quanto mais longe vou,
mais longe quero ir, e a rotina já não me satisfaz inteiramente.
A realização
que se alastra por dentro acontece quando me permito experimentar essa
liberdade de espírito e de corpo, e ainda assim acabo alimentando um sentimento
que sei que no momento não estou pronta pra receber por completo.
Resta-me ir
ajuntando e juntando as migalhas de mim, até que a hora chegue. Sei que ainda
vou me escabelar diante do desejo desse incerto paraíso, diante da vontade de
crescer ao infinito que minha mente permite. Mas coloco-me na posição de
aprendiz. Escuto com atenção, falo com cautela, assisto com olhos de admiração...
e espero com a paciência de quem ama.