Passou-se mais de ano desde o primeiro dia que subi numa
bicicleta decidida a tornar tal situação um hábito. Mesmo animada com a experiência
inicial, algo sempre me impediu de seguir a prática.
Hoje, sozinha em casa, com o compromisso de ir até o centro
da cidade para encontrar uma menina rapidamente, decidi encarar a bike de novo.
Dessa vez, disse a mim mesma que não tornaria a ação toda em algo maior do que
realmente é.
Em princípio, não quis pegar a bicicleta da minha mãe, por
ter sido muito cara e por ser mais recomendada para ciclismo. Infelizmente, a
de meu pai estava com o pneu murcho e não tive outra escolha.
O início foi revigorante. Dessa vez, o vento que batia em
meu rosto era incrivelmente quente, mas ainda assim trouxe a sensação de
liberdade. Como prometido a mim mesma, passei esse último ano e meio observando bicicletas e ciclistas, suas
escolhas de trajeto, suas esperas, seus ritmos e suas presenças. Só essa
pequena observação já transformou muito a forma como me coloquei no trânsito.
Já calculei rotas anteriormente, esperei quando necessário, acelerei quando
assim parecia mais útil. Fui mais confiante, mais cuidadosa e mais precisa.
Em determinado cruzamento, pisei errado no pedal. Me
desajeitei, fiquei envergonhada, mas logo me reorganizei e segui. Duas quadras
depois, já mais tranquila, comecei a ter problemas com o pedal. Sim! Consegui
fazer, de alguma forma, a corrente da bicicleta sair do movimento central.
Terminei o trajeto empurrando a danada e pensando no que teria que fazer pra
recompensar minha mãe depois dessa pequena cagada.
Me deu vontade de escrever de novo. Transformei, mais uma
vez, uma coisa tão simples em algo mega impactante e poético. Mas, sendo
sincera, esse processo tem sido importante pra mim. Foram poucas vezes, mas
algo em mim muda quando me coloco nessa posição. Sinto que é algo que tem o
potencial de me mudar, mudar a forma como me relaciono com o espaço e o meu
corpo.
Pensem o que quiserem. Ninguém lê isso mesmo.
30/01/2019