sábado, 13 de abril de 2019

Tempo espiralado

Escutar o corpo e respeitar seu próprio tempo é uma tarefa difícil. Nem sempre aprendemos isso quando aprendemos dança.

O que há de movimento na pausa?
O que a pausa propõe no movimento?
O movimento parte da pausa.
A pausa evidencia o movimento.

A partir da compreensão do que sou eu e do que me faz sentido é que busco a experiência cotidiana do movimentar-me. Não me parece estranho que o caminho até essa consciência seja árduo, já que a vida inteira aprendemos a pensar com a mente, mas nunca experimentamos pensar com o corpo. Assim que venho tentando pensar, quando possível.
Então me aproximo de um novo espaço. Da mesma forma como meus antepassados se aproximaram há 200 anos. Relacionar nossas angústias é espiralar-me no tempo, e assim me sinto menos sozinha. Logo me vêm à cabeça a imagem das outras duas partes de minha trança de gente. A força feminina que me alicerça. Percebo a segurança que elas sentem naquele espaço, e pela primeira vez imagino como foi construído esse caminho.

Aí então entendo que sempre fui força aterrada.
Hoje, porém, sou descontrole sutil.

Registro da experiência na aula de Estudos dos Processos Criativos III, dia 11 de abril de 2019. Escrito dia 13 de abril de 2019.

sábado, 6 de abril de 2019

SalvaJam de perguntas infinitas

Quais as relações que crio em Salvador?
E mais ainda, como me relaciono comigo mesma?

Por que escolhi a arte?
Seria possível viver sem ela?
E, de qualquer forma, será possível viver (d)ela?

Transbordo.
Não sei o que fazer com tudo que sai de mim.
Se deixo aqui, me afogo.
Mas onde encontro lugar pra desaguar tudo que grita em meu corpo?

Sou feliz porque a arte me escolheu.
Porque sou livre e me permito ser.
Porque aprendi a não duvidar do meu corpo,
a não privá-lo,
a rir à toa.
Chorar também.

Viver com arte me torna mais humana todos os dias.

Em Salvador, o quê falta?
 Por que não me deixo viver plenamente meu corpo, seus desejos e angústias?

Das coisas do mundo, eu quero as mais simples. Onde elas se perdem?

Sigo fazendo perguntas que não sei responder. Vivo no intuito de encontrar respostas.
As dúvidas me movem.
Mover é pulsar.

5 de abril de 2019

Solidão

Obrigo-me a me enxergar
é desesperador
e reconfortante
estar



É um mergulho de olhos fechados
e percepções abertas

Gosto de me encontrar sozinha
Gosto das lágrimas
da melancolia
da necessidade de afeto
porque me sussurram
que estou v i v a
e que sou i n t e i r a

Inteiramente constituída de partes
que perco, muitas vezes
troco
quebro
Mas que ficam, mesmo que invisíveis
permanecem na pele
na carne
no                                                  GRITO

E deito, tranquila

para amanhecer

Sol

4 de abril de 2019

Trânsito poético


O olho capta luz e a transforma em imagem.
A pele capta toque e o transforma em textura.
O ouvido capta ondas sonoras e as transforma em som.
A língua capta gosto e o transforma em sabor.
O nariz capta ar e o transforma em cheiro.
O corpo é movimento e o transforma em dança.

6 de abril de 2019

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Privado

se tudo há de ser privatizado
diga-me o que será de mim
que vivo de amores públicos

07/02/2019

Sutil corpo

Qual o teu limite de espaço?
O que teus braços não alcançam?
Até que ponto dançam seus olhos, sem que seus pés se deixem levar?
São essas as sutilezas do teu corpo
que eu quero descobrir.

07/02/2019

Perguntas

não me pergunte onde moro,
pergunte-me onde moram meus amores.
não me pergunte o que estudo,
pergunte-me o que estudam minhas angústias.
não me pergunte qual minha profissão,
pergunte-me sobre a profissão de minhas lágrimas.
não me pergunte que caminho percorro,
pergunte-me sobre o caminho percorrido pelos meus dedos, até entrelaçarem os teus.
aliás, não me pergunte sobre nada.
deixe-me te mostrar.

07/02/2019