Quais as relações que crio em Salvador?
E mais ainda, como me relaciono comigo mesma?
Por que escolhi a arte?
Seria possível viver sem ela?
E, de qualquer forma, será possível viver (d)ela?
Transbordo.
Não sei o que fazer com tudo que sai de mim.
Se deixo aqui, me afogo.
Mas onde encontro lugar pra desaguar tudo que grita em meu corpo?
Sou feliz porque a arte me escolheu.
Porque sou livre e me permito ser.
Porque aprendi a não duvidar do meu corpo,
a não privá-lo,
a rir à toa.
Chorar também.
Viver com arte me torna mais humana todos os dias.
Em Salvador, o quê falta?
Por que não me deixo viver plenamente meu corpo, seus desejos e angústias?
Das coisas do mundo, eu quero as mais simples. Onde elas se perdem?
Sigo fazendo perguntas que não sei responder. Vivo no intuito de encontrar respostas.
As dúvidas me movem.
Mover é pulsar.
5 de abril de 2019
sábado, 6 de abril de 2019
Solidão
Obrigo-me a me enxergar
é desesperador
e reconfortante
estar
Só
É um mergulho de olhos fechados
e percepções abertas
Gosto de me encontrar sozinha
Gosto das lágrimas
da melancolia
da necessidade de afeto
porque me sussurram
que estou v i v a
e que sou i n t e i r a
Inteiramente constituída de partes
que perco, muitas vezes
troco
quebro
Mas que ficam, mesmo que invisíveis
permanecem na pele
na carne
no GRITO
E deito, tranquila
Só
para amanhecer
Sol
4 de abril de 2019
é desesperador
e reconfortante
estar
Só
É um mergulho de olhos fechados
e percepções abertas
Gosto de me encontrar sozinha
Gosto das lágrimas
da melancolia
da necessidade de afeto
porque me sussurram
que estou v i v a
e que sou i n t e i r a
Inteiramente constituída de partes
que perco, muitas vezes
troco
quebro
Mas que ficam, mesmo que invisíveis
permanecem na pele
na carne
no GRITO
E deito, tranquila
Só
para amanhecer
Sol
4 de abril de 2019
Trânsito poético
O olho capta
luz e a transforma em imagem.
A pele capta
toque e o transforma em textura.
O ouvido
capta ondas sonoras e as transforma em som.
A língua
capta gosto e o transforma em sabor.
O nariz
capta ar e o transforma em cheiro.
O corpo é
movimento e o transforma em dança.
6 de abril de 2019
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
Privado
se tudo há de ser privatizado
diga-me o que será de mim
que vivo de amores públicos
07/02/2019
diga-me o que será de mim
que vivo de amores públicos
07/02/2019
Sutil corpo
Qual o teu limite de espaço?
O que teus braços não alcançam?
Até que ponto dançam seus olhos, sem que seus pés se deixem levar?
São essas as sutilezas do teu corpo
que eu quero descobrir.
07/02/2019
O que teus braços não alcançam?
Até que ponto dançam seus olhos, sem que seus pés se deixem levar?
São essas as sutilezas do teu corpo
que eu quero descobrir.
07/02/2019
Perguntas
não me pergunte onde moro,
pergunte-me onde moram meus amores.
não me pergunte o que estudo,
pergunte-me o que estudam minhas angústias.
não me pergunte qual minha profissão,
pergunte-me sobre a profissão de minhas lágrimas.
não me pergunte que caminho percorro,
pergunte-me sobre o caminho percorrido pelos meus dedos, até entrelaçarem os teus.
aliás, não me pergunte sobre nada.
deixe-me te mostrar.
07/02/2019
pergunte-me onde moram meus amores.
não me pergunte o que estudo,
pergunte-me o que estudam minhas angústias.
não me pergunte qual minha profissão,
pergunte-me sobre a profissão de minhas lágrimas.
não me pergunte que caminho percorro,
pergunte-me sobre o caminho percorrido pelos meus dedos, até entrelaçarem os teus.
aliás, não me pergunte sobre nada.
deixe-me te mostrar.
07/02/2019
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Relato das experiências reaprendendo a andar de bike - day two
Passou-se mais de ano desde o primeiro dia que subi numa
bicicleta decidida a tornar tal situação um hábito. Mesmo animada com a experiência
inicial, algo sempre me impediu de seguir a prática.
Hoje, sozinha em casa, com o compromisso de ir até o centro
da cidade para encontrar uma menina rapidamente, decidi encarar a bike de novo.
Dessa vez, disse a mim mesma que não tornaria a ação toda em algo maior do que
realmente é.
Em princípio, não quis pegar a bicicleta da minha mãe, por
ter sido muito cara e por ser mais recomendada para ciclismo. Infelizmente, a
de meu pai estava com o pneu murcho e não tive outra escolha.
O início foi revigorante. Dessa vez, o vento que batia em
meu rosto era incrivelmente quente, mas ainda assim trouxe a sensação de
liberdade. Como prometido a mim mesma, passei esse último ano e meio observando bicicletas e ciclistas, suas
escolhas de trajeto, suas esperas, seus ritmos e suas presenças. Só essa
pequena observação já transformou muito a forma como me coloquei no trânsito.
Já calculei rotas anteriormente, esperei quando necessário, acelerei quando
assim parecia mais útil. Fui mais confiante, mais cuidadosa e mais precisa.
Em determinado cruzamento, pisei errado no pedal. Me
desajeitei, fiquei envergonhada, mas logo me reorganizei e segui. Duas quadras
depois, já mais tranquila, comecei a ter problemas com o pedal. Sim! Consegui
fazer, de alguma forma, a corrente da bicicleta sair do movimento central.
Terminei o trajeto empurrando a danada e pensando no que teria que fazer pra
recompensar minha mãe depois dessa pequena cagada.
Me deu vontade de escrever de novo. Transformei, mais uma
vez, uma coisa tão simples em algo mega impactante e poético. Mas, sendo
sincera, esse processo tem sido importante pra mim. Foram poucas vezes, mas
algo em mim muda quando me coloco nessa posição. Sinto que é algo que tem o
potencial de me mudar, mudar a forma como me relaciono com o espaço e o meu
corpo.
Pensem o que quiserem. Ninguém lê isso mesmo.
30/01/2019
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