quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Sutil corpo

Qual o teu limite de espaço?
O que teus braços não alcançam?
Até que ponto dançam seus olhos, sem que seus pés se deixem levar?
São essas as sutilezas do teu corpo
que eu quero descobrir.

07/02/2019

Perguntas

não me pergunte onde moro,
pergunte-me onde moram meus amores.
não me pergunte o que estudo,
pergunte-me o que estudam minhas angústias.
não me pergunte qual minha profissão,
pergunte-me sobre a profissão de minhas lágrimas.
não me pergunte que caminho percorro,
pergunte-me sobre o caminho percorrido pelos meus dedos, até entrelaçarem os teus.
aliás, não me pergunte sobre nada.
deixe-me te mostrar.

07/02/2019

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Relato das experiências reaprendendo a andar de bike - day two


Passou-se mais de ano desde o primeiro dia que subi numa bicicleta decidida a tornar tal situação um hábito. Mesmo animada com a experiência inicial, algo sempre me impediu de seguir a prática.
Hoje, sozinha em casa, com o compromisso de ir até o centro da cidade para encontrar uma menina rapidamente, decidi encarar a bike de novo. Dessa vez, disse a mim mesma que não tornaria a ação toda em algo maior do que realmente é.
Em princípio, não quis pegar a bicicleta da minha mãe, por ter sido muito cara e por ser mais recomendada para ciclismo. Infelizmente, a de meu pai estava com o pneu murcho e não tive outra escolha.
O início foi revigorante. Dessa vez, o vento que batia em meu rosto era incrivelmente quente, mas ainda assim trouxe a sensação de liberdade. Como prometido a mim mesma, passei esse último ano e meio  observando bicicletas e ciclistas, suas escolhas de trajeto, suas esperas, seus ritmos e suas presenças. Só essa pequena observação já transformou muito a forma como me coloquei no trânsito. Já calculei rotas anteriormente, esperei quando necessário, acelerei quando assim parecia mais útil. Fui mais confiante, mais cuidadosa e mais precisa.
Em determinado cruzamento, pisei errado no pedal. Me desajeitei, fiquei envergonhada, mas logo me reorganizei e segui. Duas quadras depois, já mais tranquila, comecei a ter problemas com o pedal. Sim! Consegui fazer, de alguma forma, a corrente da bicicleta sair do movimento central. Terminei o trajeto empurrando a danada e pensando no que teria que fazer pra recompensar minha mãe depois dessa pequena cagada.
Me deu vontade de escrever de novo. Transformei, mais uma vez, uma coisa tão simples em algo mega impactante e poético. Mas, sendo sincera, esse processo tem sido importante pra mim. Foram poucas vezes, mas algo em mim muda quando me coloco nessa posição. Sinto que é algo que tem o potencial de me mudar, mudar a forma como me relaciono com o espaço e o meu corpo.
Pensem o que quiserem. Ninguém lê isso mesmo.

30/01/2019

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Burden

leaving her is hard. how can one let go of the comfort of warm arms to face the rudeness of a crazy city?

it doesn't seem fair that a person whose only wish is to love, and to love widely, has to deal with the burden of not being able to do so.

1/01/19

Tu inteira

adoro quando nossos corpos se tornam fluidos. onda incessante de calor, pele de pelos eriçados de tanto amar.
meu corpo te chama pelo nome, meus lábios já conhecem teu gosto, tua voz é como canção que me abraça.

tu inteira é banho quente de suor.

30/12/18

Lar de Liberdade

nesse apartamento, tudo resumido a caixas.
matérias
memórias
manias
um pouco de mim em cada sacola, que leva o meu grito abafado pelo cupim no chão molhado no qual miro meu reflexo e choro.
o pranto cai como essa água da geladeira desligada, inútil, pesada. o sofá ainda escorado na mesma parede, mas onde não mais sentarão as mesmas pessoas enérgicas e cheias de vida, porque o espaço é apenas cúmplice do que existe bem mais no fundo, e bem menos concreto.
sinto que perco esse abstrato junto com meu primeiro lar de liberdade. já não tenho pra onde fugir, por hora. agora é carregar no peito lembranças e torcer para que sejam fortes o bastante pra manter viva a intensidade de ser independente aonde quer que for.
porque antes o que fora lar de crescimento, descoberta, reconforto, representa agora angústia e medo. e ele ainda está lá, na mais estável concretude.
meu lar de liberdade se esvai enquanto espaço, mas vai embora com a certeza de que fez o seu papel.

meu lar de liberdade, agora, sou eu mesma.

29/12/18

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Natal freudiano

meu berço despedaça o que há de político em mim
me alimenta de resiliência, força que cansa
ainda assim, minha mente dança
a luta se rega em lágrimas,
mas a certeza não balança.

25/12/18