O mundo é grande demais pra nos perdermos em verdades absolutas. É grande demais pra nos fecharmos pro que difere de nós. É grande demais pra nos conformarmos com o conforto do conhecido, com a falta de risco, do frio na barriga.
A gente se constrói a partir de reações individuais a experiências diferentes, e estar em constante reconstrução é não ser indiferente à toda vida que acontece fora da nossa própria perspectiva - é absorver, não só observar.
Dividimos as terras, desenvolvemos línguas e criamos costumes. Nos sentimos longe, distintos e conflitantes. Aprendemos a desprezar o que não conhecemos e nos parece inferior - e idolatrar o que parece superior.
Ilusões à parte, somos todos um bando de "eu" criando alguns "nós". Enquanto seguirmos nos preocupando mais com nossos absolutismos, vamos continuar sendo separados por definições pré criadas da nossa existência.
Nossa existência é observar, absorver, transcender e expandir.
Se não for assim, é desperdício de vida.
(08 de fevereiro de 2017. Hamburgo - Alemanha)

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