terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Adulthood

Ser adulto cansa, ser adulto exige, ser adulto dói. A vida  adulta não se importa com o quão boa foi a sua intenção. Ela quer resultado. Eficiência. Ganho.
Ela pode às vezes ser doce e cheia de esperança, como o voo de um pássaro que sabe que não tem hora pra chegar, e que pode repentinamente mudar a direção pra qual se dirige, até porque sabe que o que lhe dá prazer é, no fundo, a sensação de estar no alto por si só. Mas é uma doçura que se disfarça dentro de um mar de incertezas, não sabendo bem como chegar até a superfície e deixar de se afogar. É uma esperança que, assim como o pássaro, pode cair feio justamente por estar no ar.
Ser adulto é entender a importância da sinceridade e autenticidade, e aceitar as consequências calado sabendo que nada são além daquilo que você mesmo criou. Ser adulto é parar de crer que as coisas vão acontecer como elas devem acontecer e perceber que sua atitude tem mais valor do que suas crenças.
Os desesperos acontecem, nos dominam e sempre retornam. A vida adulta não entende nossa sensibilidade. Ela é rasa e fria. Ela queima vivo, ela corta sem dó.
Pra nossa sorte, não nascemos adultos. Nos tornamos. E por mais crucial e importante que seja, a vida adulta só sobrevive porque a construímos na base de uma infância de despreocupações e uma adolescência de experiências únicas. Amadurecer a criança não significa esquecê-la. Se fosse assim, estaríamos todos mortos.

(16 de janeiro de 2017. Freaking out.)

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