terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Mudança e resistência

Ouvi dizer que 2016 foi o ano de fechamento de ciclos, e por mais que nem sempre acredite em tais ideias, essa me pareceu se adequar bastante ao ano que tive. Tudo parece ter chegado ou estar chegando ao fim, o que me assusta de uma forma bem grotesca.
Fechar um ciclo significa, consequentemente, iniciar um novo, mas nós temos essa tendência incessante de evitar o término de um período que nos foi bom e prazeroso, com medo de que o próximo passo seja a escolha errada. Mas acontece que não existe escolha errada quando queremos sair do nosso quadrado, ter novas experiências e descobrir caminhos diferentes. Existe, sim, se dar conta de que talvez esse caminho não seja o adequado no momento, mas isso nunca quer dizer que foi um erro. Quer dizer que foi uma tentativa. Sempre válida.
Chega de estar sempre num lugar confortável que não te exija nada mais do que você já está acostumado. Chega de estar satisfeito com aquilo que te satisfazia há muito tempo atrás. Já disse isso tantas vezes, mas nunca é demais: mudar é necessário.
Mas falar é fácil, claro, porque a dor que sentimos ao fecharmos um ciclo que nos fez feliz é imensa. Mas a dor não vem pela mudança, ela vem pela resistência. Insistimos em não aceitar que o que nos espera pode ser tão melhor do que já conhecemos, e que mesmo que não for, a graça é descobrirmos. E assim criamos feridas de “e se...” que nos acompanham pelo resto da vida.
A cada minuto fazemos escolhas que mudam o rumo de tudo o que vivemos, cada qual na sua própria proporção. E por mais que essas escolhas pareçam difíceis de serem feitas, no fundo a gente sabe. Nosso ser, toda a nossa existência nos diz continuamente, a gente só finge não ouvir pra evitar o processo de mudança que imaginamos tão doloroso.

Então que 2016 represente a nossa capacidade de esclarecermos tudo que ainda nos é incógnito, e que possamos escolher aquilo que nos deixa genuinamente plenos e completos, sem medo da dor de mudar. Essa dor é necessária e nos ajuda a encontrarmos nossa própria paz. Já a dor da resistência, essa nos acompanha em todas as incertezas da vida.

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